segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Infortúnio abateu-se sobre a Casa do Ramalhete

Morte Súbita de Afonso da Maia


Ontem a tragédia abateu-se sobre a família Maias.
Perto do meio-dia, Baptista entrou, de rompante, no quarto de Carlos da Maia, a gritar que o avô estava deitado no jardim, sem se mexer.
Afonso da Maia foi encontrado morto, num recanto do quintal, sob os ramos do cedro, sentado no banco de cortiça, tombado sobre a tosca mesa, com a face caída entre os braços. O chapéu desabado rolara para o chão; nas costas, com a gola erguida, conservava o seu velho capote azul.
Valeu a Carlos da Maia o facto de poder contar com o apoio de Ega, o seu inseparável amigo, pois, com a morte do avô, Carlos sentir-se-ia muito sozinho, por não contar mais com os braços de Afonso para o proteger. Esta família tem sido muito afetada por mortes, aliás, Carlos parece que nasceu sob o signo da morte, tendo ficado órfão de pai logo em criança (Pedro da Maia não suportou o abandono da mulher e suicidou-se) e sendo atingido, agora, com a do seu avô, Afonso da Maia.
Será que o Ramalhete estará mesmo atingido pelo peso de uma lenda? Como será a vida de Carlos, de ora em diante?
Continuará a viver no Ramalhete? Irá exercer a sério a sua profissão de médico? Esperamos que não desista de pôr em prática os seus conhecimentos, contribuindo para melhorar a saúde do nosso povo.
Ao nosso doutor, os nossos sentidos pêsames.


Zaida Condessa, 11º E1







Carta de Afonso da Maia ao seu neto

Lisboa, 15 de maio de 1877


     Meu querido neto,
           
            Quando leres esta carta, provavelmente já não estarei cá. Terei partido para um lugar diferente daquele em que vivemos, onde as pessoas não vivem da ociosidade e da corrupção, da mentira e da fraqueza. Enfim, num mundo sem a nossa sociedade.
            Após a morte do meu adorado filho Pedro, uma enorme desilusão apoderou-se de mim. Sofri, em silêncio, os anos passados na sua ausência, desde que ele se casou contra a minha vontade e partiu para Itália, com a tua mãe, mais conhecida como a “negreira”. A sua educação superprotetora, a morte de sua mãe e a fuga de Maria com o italiano foram os motivos da sua desgraça. Quando Maria o abandonou, o meu querido filho veio pedir-me perdão e trouxe-te com ele. Observando os teus olhos, iguais aos dele, ergui-te nos meus braços e percebi que eras a minha responsabilidade, que tinha de cuidar de ti, proporcionando-te aquilo que não consegui proporcionar no passado ao teu pai: uma boa educação, à inglesa.
            Entretanto, os anos foram passando, cresceste, fizeste-te um verdadeiro homem, lutaste pelos teus desejos e ambições, tiveste muitos romances e aventuras pelo mundo, viveste a tua vida como sempre idealizei, até ao momento, em que te apaixonaste pela tua própria irmã, afundando-te na tua desgraça. Pedi que te seguissem, pois quis acabar com esta angústia, que a cada dia era maior. Noites passadas fora de casa. Noites passadas com a tua irmã. Noites passadas a fazer a cama onde hoje te deitas.
            A minha jornada está próxima do fim, mas a tua não, Carlinhos, ainda tens muita vida pela frente. Nunca te esqueças da educação que tiveste, de todas as pessoas que te acompanharam e apoiaram, de mim, que não desisti de ti, quando o teu pai te deixou nos meus braços. Ainda existe tempo para mudar o futuro, para evitar erros e tragédias. Ainda existe tempo para contares a verdade a Maria Eduarda. Ainda existe tempo, e o tempo cura tudo.

Teu avô: Afonso da Maia

Rita Pereira, 11º C1


Encantos do Cacém

É da janela do meu quarto
Que eu admiro, com espanto,
Este Cacém imenso,
Que tem sempre muito encanto!

Na avenida dos Bons Amigos,
Eu passeio sem fim,
Quando me canso,
Sento-me no seu jardim.

No jardim da Anta,
Veem-se crianças a brincar,
Com tantas árvores e sombras,
Aqui eu consigo repousar!

Tal como Cesário Verde,
Também eu admiro o povo,
Com o Cacém,
Vou sonhar de novo!

Na Escola Secundária Ferreira Dias,
Os estudo vamos melhorar,
Estudando aqui, com certeza,
Um bom futuro podemos assegurar.

No Cacém, há tantas coisas boas,
Que dias eu levaria a dizer,
Bem como boas pessoas
Ajudando este poema a fazer!


Tiago Pereira, 11º C1



No Cacém

Cacém


Às 8 horas, no Cacém,
Aquela grande agitação,
Que nos aflige o coração
E o da nossa mãe também.




Boa escola, filho!
Diz ela com esperança,
Que ele chegue em segurança,
Seguindo o seu habitual trilho.




Desço a Marquês Pombal,
Pensando que podia ir de skate,
Mas a queda existe,
E depois preciso que alguém me endireite.




Chegando à escola,
Olho para o amor da minha vida,
Amor que chega a mais de um giga.
E que não cabe na sacola.




Já no largo dos bêbados,
Eles fazem fila para a tasca,
Vejo tantos “à rasca”
Para ao vinho contar segredos.




Ao final do dia,
Os trabalhos não acabam.
Os alunos com eles contam,
Para não perder a via.




Fico à espera do pai,
Com um pouco de ansiedade,
Pois já há saudade,
Que imponha a sua lei.





Daniel Oliveira, 11º C1









Versos de Pedro da Maia a Maria Monforte

A ÚLTIMA CARTA DE PEDRO DA MAIA PARA MARIA MONFORTE (NUNCA ANTES LIDA)


A vida não se conta por dias,
Mas, sim , por momentos,
Nas minhas palavras baldias,
Surgem os meus lamentos!

Figura bela e sensual,
Com finos cabelos de oiro,
A vestir és divinal,
Só usas casacos de coiro!

Este poema é cruzado,
Remete para os meus pensamentos,
Serei sempre ignorado,
Mas hoje acabam os aborrecimentos!

Agora, fugiste de mim,
Tudo se resume num medo,
O poema chegou ao fim,
Vai para o inferno com o Tancredo.          

         

 Luís Niza, 11º E1