terça-feira, 18 de abril de 2017

Desabafos de Dâmaso Salcede




Querido diário

Sei que ultimamente não tenho desabafado muito contigo, mas hoje é um daqueles dias que preciso de ti, preciso de falar contigo sobre aquele cretino, o Carlos! Sim, é esse mesmo em quem estás a pensar, aquele que ficou com a mais bela mulher, a mulher dos meus sonhos, a Maria Eduarda.
 Sinceramente, não sei o que ela vê nele, pois ele não tem nada que eu não tenha, só se for porque estudou medicina, mas até parece que esse curso tem algum reconhecimento! Esse curso qualquer um é capaz de tirar e também eu o conseguiria.  Ainda se fosse direito, poderia ele orgulhar-se, agora o de medicina, para lidar com sangrias e emplastros, não é nada que o honre. 
 Não suporto o Carlos. Sabes bem, querido diário, que ele está a tornar-se intolerável para mim, que sou bem melhor do que ele. Qualquer dia isso vai ser público e vou ocupar um cargo mais preponderante na sociedade do que ele e sabes porquê? Porque eu sou “chique a valer” e ninguém me supera. Foi por isto que encomendei um artigo no “ Corneta do Diabo” , sim, aquele jornal que faz soar os escândalos! Sabes tão bem como eu que Carlos e Maria Eduarda não devem ficar juntos. Neste momento, deves estar a perguntar-te se eu, realmente, estava embriagado quando paguei o artigo no jornal … É claro que não! Estava sóbrio e bem sóbrio, mas só tu e o Eusebiozinho sabem disto.
Vais ver que, um dia, ainda a Maria Eduarda vai ser minha. Agora tenho de me despedir, mas prometo que volto para te contar as próximas novidades.

O teu eterno amigo

Dâmaso Salcede

Cláudia Santos, 11º C1

A Construção do Convento de Mafra

Minha querida mãe

Peço-te desculpa pela minha falta de notícias, mas ultimamente não tenho tido tempo de te escrever diariamente, faltando, assim, ao que te tenho prometido. O que se passa é que nós, os habitantes da bela vila de Mafra, temos estado muito ocupados com a construção do novo convento.
Esta nova edificação foi ordenada pelo nosso rei, Dom João V, para homenagear o nascimento da sua primogénita, a princesa Dona Maria Bárbara. Segundo o que me contou a vizinha, o levantamento desta obra deve-se a uma promessa que, supostamente, o rei fez a um tal frade da ordem franciscana de que, se a rainha engravidasse no decurso de dois anos, mandaria levantar em Mafra um convento de franciscanos.
A nossa população tem sofrido uma enorme quantidade de abusos e de violações, na medida em que todos os homens têm sido obrigados a trabalhar excessivamente, só para cumprir com a magnitude de caprichos do nosso soberano. Também devo contar-te que temos estado à beira da miséria, uma vez que o meu marido, naquele trabalho pesado e imposto, não ganha o suficiente para manter a nossa família, por isso já amanhã começo a trabalhar no castelo como cozinheira.
       Espero em Deus que a igreja deste convento seja suficientemente grande para nós todos, os cidadãos de Mafra, podermos assistir à missa dos domingos, já que, presentemente, muitos não conseguem testemunhar as poderosas e impressionantes palavras do nosso Padre.
       Considero ter dito absolutamente tudo o que está a acontecer por cá. Espero a tua resposta.

Tua querida filha,


Maria Benedita.





Lorena Sanchez, 12º C1

Par Baltasar e Blimunda

O livro Memorial do Convento, escrito por José Saramago, dá ênfase à relação amorosa das personagens Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.
Esta relação começa de uma forma totalmente diferente das outras, já que as duas personagens se conhecem num auto de fé, onde a mãe da Blimunda, Sebastiana de Jesus, foi condenada à pena de ser degredada para Angola. No decorrer da história, é narrada a relação destes dois protagonistas como um casal. Eles enfrentam todas as adversidades e os imprevistos com força, determinação, mas,  sobretudo, com amor e respeito. Em determinada parte da história, os dois tornam-se cúmplices do Padre       Bartolomeu Lourenço de Gusmão na construção da máquina voadora, “A Passarola”. Estes dois trabalham arduamente e ocupam-se de tarefas diferentes: Baltasar na edificação, em si, do aparato da máquina e Blimunda na recolha de vontades, uma vez que a jovem possuía poderes sobrenaturais. O mesmo artefacto, no final da obra, é aquele que separa os dois amantes de forma definitiva. 
            Baltasar e Blimunda representam, sem dúvida alguma, o tipo de amor e o tipo de relação conhecida como ideal. Os dois amam-se completamente e loucamente, ao ponto de Blimunda procurar Baltasar por um período de nove anos, depois de, em certo dia, simplesmente ele ter desaparecido. 
           O narrador mostra, ao leitor, a sua convicção sobre o verdadeiro amor, no momento em que Blimunda apanha a vontade do Baltasar, quando ele está a morrer num auto de fé. Esta vontade teria que ficar na terra, pois pertencia a Blimunda. Assim se mostra a sublimidade no amor representado por este casal.




Lorena Sanchez, 12º C1



A Luxuosa Casa dos Maias


Casarões de Luxo





A sua coluna de imóveis

Chama-se Ramalhete e é uma vivenda de luxo situada em Lisboa, no calmo bairro das Janelas Verdes. Este casarão pertence a uma família da Beira: os Maias, constituída por Afonso da Maia e seu neto, Carlos da Maia, recém-formado em medicina, na universidade de Coimbra.
Recentemente, a família decidiu mudar-se para Lisboa e, de forma a conseguirem instalar-se comodamente no antigo Ramalhete, o avô e o neto tomaram a iniciativa de fazerem algumas obras. Para isso, Carlos da Maia contratou um conceituado arquiteto-decorador de Londres, Jones Bule.
Ao entrar no pátio da casa, somos logo surpreendidos por um extenso pavimento de mármore em tons de branco e vermelho, enfeitado com várias plantas decorativas. Nesta casa encontramos bastantes indícios do gosto que os Maias têm por viagens e por antiguidades, começando pelos clássicos vasos de Quimper e pelos bancos feudais em talha, trazidos de Espanha, dispostos ainda no pátio.
Na antecâmara, as cores vibrantes dos tapetes persas que cobrem os divãs despertam a atenção de qualquer visitante, ao lado um conjunto de largos pratos mouriscos com reflexos metálicos de cobre, que conferem brilho à divisão e, no meio de toda esta harmonia de cores, sobressai o mármore branco que constitui a figura de uma adorável menina, rindo-se, ao meter o seu pezinho dentro de água.
Um amplo corredor repleto de peças vindas da casa de Benfica, como os caros jarrões da Índia e alguns quadros devotos, dá acesso às quatro divisões mais importantes da casa. Começando pelo salão nobre, todo ele é coberto de bonitos brocados de veludo cor de musgo, destacando-se assim o retrato da sogra de Afonso da Maia, a Condessa de Runa, tela de Constable.
Ao lado é a sala onde se faz a música, cuja decoração nos faz viajar para o século XVIII, com os luxuosos móveis enramelhetados de ouro e as duas brilhantes tapeçarias de Gobelins.
Do outro lado, situa-se a sala mais cómoda do Ramalhete, o Fumoir, e não é por acaso que é mesmo a sala mais cómoda do Ramalhete, pois possui otomanas fofas como leitos, estofos escarlates e pretos, quentes e aconchegantes, que fazem sobressair as cores vivas das faianças holandesas, que, mais uma vez, simbolizam o gosto dos Maias pela exploração do mundo.
E, por fim, ao fundo do corredor, é o escritório de Afonso. Esta sala reflete, de certa forma, a personalidade de Afonso da Maia, desde a maciça mesa de pau-preto às estantes de carvalho lavrado, que revelam o seu caráter forte e resistente face a todas as situações complicadas que já viveu. Ao canto, existe uma cadeira de braços, com tapeçaria, a mostrar as armas dos Maias. Destacam-se, também, uma pele de urso branco e um bonito biombo japonês bordado a ouro, perto do fogão, para que Afonso possa sentar-se e sentir-se a desfrutar do ambiente da quinta Santa Olávia, onde tem a sua casa preferida.
No segundo andar, existe um corredor repleto de retratos de família que dá acesso aos quartos de Afonso. Carlos tem três gabinetes, todos eles com vista para o jardim. Este jardim, apesar de não ser muito grande, é bastante acolhedor e simpático, com o seu cipreste e o cedro, que providenciam sombra à família nos dias mais quentes. A estátua de Vénus Citereia, branca como leite, de tão encantadora que é, aparenta ter acabado de chegar de Versalhes e a cascatazinha no meio do jardim, confere um clima relaxado e descontraído a esta zona do Ramalhete.
Ao pé dos degraus do terraço, estão plantados bonitos girassóis que dão cor ao jardim. Do terraço, conseguimos ter vista para o mar, onde, por vezes, passam alguns barcos levados pela suave brisa, brisa essa que também faz andar as pás do velho moinho que se eleva no cimo do monte. A linha sinuosa do monte faz fronteira com o horizonte, elevando-se acima do nível do mar. Trata-se de um quadro que deleita a vista de quem tem o prazer de visitar a casa do Ramalhete.
No fim desta visita ao Ramalhete, não podemos deixar de elogiar o excelente trabalho de Jones Bule, o esplêndido arquiteto-decorador londrino que remodelou esta casa para que os simpáticos e atenciosos Maias, que nos permitiram escrever este artigo, possam viver longos e prósperos anos.


Artigo de:

Joana Dias Almeida, nº 11, 11º C1

O Voo da Passarola VS F 16


Passarola  vs F 16                                                                   


O voo, no romance Memorial do Convento, é explicado por padre Bartolomeu da seguinte

maneira: O Sol atrai o âmbar, que atrai o éter, que, por sua vez, atrai os ímanes que atraem o ferro que compõe a passarola.

O problema residia no facto de o éter ser uma substância rara que “segura as estrelas”, portanto o padre Bartolomeu Lourenço precisou de ir estudar, tendo-se deslocado à Holanda para tentar fabricá-lo. 

Quando o padre regressou dos estudos, percebeu que não era possível fabricar o éter e explicou a Blimunda e a Baltasar o que era essa substância mística, consistindo nas vontades dos homens. Decorrido algum tempo, Blimunda, usando o seu dom de ver o interior das pessoas,  conseguiu recolher suficientes vontades para que pudessem fazer a passarola a voar.





Como se explica,atualmente, o voo dos aviões?







A importância das asas


A explicação para o voo dos aviões começa pelo contributo das asas.
Os aviões voam, pois as suas asas, embora pareçam planas, têm um perfil curvo  que faz com que o ar, na parte de cima da asa, se desloque mais rapidamente do que na parte de baixo da mesma, criando uma maior pressão na parte de baixo relativamente à parte de cima. Essa pressão “sustenta” o avião no ar e, quando deixa de existir, ou seja, quando o avião abranda o suficiente ,este “estagna”, deixando de se conseguir manter no ar, e cai, como se de uma pedra se tratasse.

André Simões, 12º C4

domingo, 2 de abril de 2017

Os detalhes por detrás do casamento



Os detalhes por detrás do casamento

D. Maria Bárbara, de dezassete anos, casou-se com Fernando VI de Espanha, de quinze anos. O casamento ocorreu em Espanha e, para tal, D. Maria partiu com algum tempo de antecedência, pois o caminho era longo. Partiu com a comitiva real, incluindo um antigo soldado, que agora acompanhava a rainha e a princesa.
Seguiram para Vendas Novas, no entanto este percurso tornar-se-ia complicado, devido ao mau tempo que se fazia sentir. A caravana estava separada em duas partes, pelo que a comitiva de D. Maria, quando chegou a Vendas Novas, tinha muitas baixas. Deste modo, a Rainha decidiu interromper a viagem e alojarem-se num palácio, até que a tempestade abrandasse.
Foram necessários muitos homens para arranjar os caminhos, de modo a que a comitiva pudesse passar, sendo que João Elvas foi um dos escolhidos. Na manhã seguinte, já não chovia e a comitiva seguiu viagem.
Em Évora, todos esperavam o Rei, que, naquele momento, se encontrava em Vila Viçosa e sabe-se que, pela tarde, terá distribuído moedas pelos pobres que lá se encontravam.
Do outro lado da fronteira, em Badajoz, já se fazia festa, os populares dos dois países rejubilavam de felicidade por saberem que iria ocorrer uma cerimónia.
Durante a cerimónia, enumeram-se as diferenças entre os portugueses e os espanhóis. Do lado português, existiam “ tapeçarias e cortinados de damasco carmesim com sanefas de brocado de ouro”; do lado espanhol os adornos consistiam em tiras de “ brocado verde e branco”, ao centro da sala existia uma “grande mesa com cadeiras forradas de tissu de ouro e prata”. No final da cerimónia, Scarlatti tocou no seu cravo. O povo estava do lado de fora, imaginando, à distância, o requintes destas cerimónias.
Restava-lhe contentar-se com o o deleite da visão do cortejo, realizado com uma pompa e riqueza de um apuro nunca antes apreciado.

Raquel Rodrigues

O SONHO REAL



- Abençoe-me, Padre, porque pequei.
- Diga-me, vossa alteza, como poderei aliviar a vossa dor?
- Espírito Santo, ilumine a minha mente, para que consiga identificar os meus pecados, e toque-me o coração, para que eu me sinta arrependida por tê-los cometido. Amém.
- Digo-vos, vossa alteza real, que, se confessarmos os nossos pecados, Nosso Senhor será fiel e justo a perdoá-los. 
- Senhor, contra ti pequei e fiz o que reprovas, justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sofro de uma fraqueza pessoal. Há dias sem fim que peco, não só dias, pois também o faço quando o Sol se põe e me deito sob o meu cobertor de penas. Sonho com o meu cunhado, o infante D. Francisco, o que farei, Senhor Padre? Sonho que ele me convida, educadamente, para passear. Passeamos e passeamos, ele canta-me versos soltos de poemas: "Amor é fogo que arde sem se ver.", "Ah o amor... que nasce não sei de onde, vem não sei como, e dói não sei porquê.", "Amor é querer estar preso por vontade.". Sonho que ele me ama; que me acaricia os cabelos; que me beija; que me abraça, que me elogia; que me faz rir; que me ouve como se algum sentido tivesse o que eu digo, mesmo quando gaguejo. Mas sabe o pior, padre? Como já tenho dito, não é só à noite que me entrego a estes pensamentos, pois dou por mim a passear sozinha e a lembrar-me de quão bom seria poder tornar os sonhos realidade, poder, por instantes, sentir-me livre de escolher o meu caminho e com quem quero estar...
- Vossa digníssima alteza, sou de opinião que todo o ser humano deve lutar para atingir o seu ideal de felicidade, mas, no vosso caso, sou forçado a trair os meus valores, pois cabe, também a  vós, manter a paz e a harmonia no país e no seio da família real. Assim o digo: Se amais o vosso país, afastai-vos desses pensamentos. Ego te absolvo a peccatis tuis in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Vá em paz para amar e servir a Deus.
- Graças a Deus.
-Ide em paz e o senhor vos acompanhe.
-Amén. Deus é misericordioso.
-Deus ama, neste mundo, aqueles que sofrem. A infinita glória só se alcança no reino dos céus.


Mariana Marmelo, 12º C1